O
que é o Evangelho?
Para
que você possa compreender o que realmente é o Evangelho é necessário saber o que as
Escrituras falam acerca da natureza do homem (parte I), da natureza de Deus
(parte II) e a mensagem da cruz junto com a doutrina da salvação (parte III).
A
primeira coisa a ser abordada antes de tudo é a respeito da natureza do homem.
O que as Escrituras falam sobre a humanidade. Estou colocando as referências
para você buscar até por aqui mesmo numa bíblia online e ver se realmente está no contexto do que estou lhe falando.
Acredito
que uma das melhores explicações é encontrada na carta de Paulo aos romanos,
nos três primeiros capítulos. E o que ele fala é de deixar qualquer um
deprimido. Lá diz que todos nós pecamos e por isso estamos destituídos da
glória de Deus (Rm 3.23). Bom há muita coisa a ser considerada aqui. Na verdade
esse versículo é uma espécie de conclusão do que ele tem mostrado em sua carta
nos capítulos 1 e 2. Ele fala tanto de judeus (que são o povo escolhido de
Deus, pois descendem de Abraão) como de gentios (que são pessoas não
pertencentes à herança de Israel), fala de todas as maneiras e explica que não
há um justo sequer (Rm 3.10). E depois de explanar a ideia de que não existe
nem uma pessoa justa sequer, ele ainda conclui ‘Pois todos pecaram’. Ele não
faz distinção de nenhum ser sequer, nem mesmo Moisés, nem Davi, Isaías e
grandes profetas do passado, nem de Maria e nem dele mesmo. E ele não faz isso
porque ele é uma pessoa humilde, não. Ele diz isso porque ele sabia que a
natureza humana não é uma natureza boa. Somos todos nós egoístas, mesquinhos,
nojentos, asquerosos. Não pode sair nada de bom do homem. Nós, em nossa
essência somos inimigos de Deus (Rm 5.10). O que esta passagem nos ensina é que
o homem, sem Cristo, em sua essência é inimigo de Deus, ele odeia a Deus e quer
fazer tudo o que Deus abomina. Isto é a melhor explicação que há para existirem
tanta guerra, tanta imoralidade e tantos outros males. Pois a verdade é que gostamos
disso, isso está na nossa natureza e não podemos fugir disso.
Ele continua explanando essa ideia no decorrer do capítulo 3, usando passagens
do antigo testamento. Ele declara que nossa boca é cheia maldição e amargura
(Sl 10.7), que nossos pés são ligeiros para derramar sangue (Is 59.7). Muitas
pessoas podem pensar que isso não é verdade, que nós não temos espírito
assassino, mas o que ocorre é que não fazemos de fato por medo das
consequências que podem ocorrer e nos prejudicar. Mas para entender melhor essa
questão vamos imaginar que fora nos dado todo o poder sobre o mundo e podemos
fazer tudo o que queremos que nada seria proibido ou errado e tudo seria
acatado. Poderíamos até pensar que não faríamos nada. Mas vamos dar uma
eternidade para nossa vida e sempre com a mentalidade de que não existe nada de
errado nas nossas escolhas, podemos matar uma pessoa e isso não seria pecado ou
existisse alguma penalidade para isso. Pois bem o que as Escrituras diz é que nós
na nossa essência e livre de qualquer peso na consciência somos ligeiros para
derramar sangue. E isto se torna um fato, quando olhamos na história reis da
era medieval que mandava matar pessoas quando bem lhe entendessem por apenas
diversão. Paulo continua dizendo que não há temor de Deus diante dos nossos
olhos (Sl 36.1). Muitos de nós repudiamos o terceiro Reich e tudo o que Hitler
e os nazistas fizeram aos judeus, mas a verdade é que nós somos iguais a
Hitler. Hitler é a amostra da essência do que nós somos. Na mentalidade deles,
eles não fizeram nada de errado, pois acreditavam que os judeus não fossem
humanos, mas sim uma espécie entre o homem e o chimpanzé. Eles até comparavam
as semelhanças entre os judeus e chimpanzés.
Mas em contraposição podemos citar vários exemplos bons, como Gandhi, madre Teresa, e tantas outras pessoas que fazem o bem. E também pessoas que são boas e que ainda assim não acreditam em Deus. O que Paulo está traçando neste verso é a natureza intrínseca do homem, não apenas regras de boa conduta e de ética, não apenas o que fazemos que os outros veem. Mas o que está no nosso interior, no nosso íntimo, e Deus conhece o nosso interior e por isso declara tanto pelos profetas como por Paulo que somos miseráveis. Pensamos que por nossas obras podemos agradar a Deus, mas não podemos, porque todos nós somos imundos e as melhores coisas que fazemos são trapos de imundícia para Deus (Is 64.6). Seria como crianças que são desobedientes, mimadas e só fazem o que aborrece os pais, e pensam que podem se achar bons só por escrever num papel sujo, cheio de porqueira e escrito de qualquer jeito: Pai, ti amam... e nem sequer escrevem direito. E com isso pensam que fizeram grande coisa. Quando na verdade isso é trapo de imundice, pois afinal de contas é esta a nossa essência. Não podemos nos desvencilhar disso. O homem por si só não pode mudar sua natureza, não com suas obras e mesmo tentando como toda a sua força de vontade, pois é isso que somos: criaturas débeis e carentes da glória de Deus. E o que vemos é sempre uma tentativa frustrada e fracassada de tentar chegar a Deus pelas suas próprias. Daí pode-se ter uma ideia do por que existem várias religiões e inúmeras crenças. Os homens trocaram a verdade de Deus pelas suas próprias mentiras preferindo adorar seres criados de sua própria invenção do que a Deus (Rm 1.25).
E
porque Paulo fala que estamos destituídos da glória de Deus? Por que mudamos a
glória de Deus que é incorruptível em semelhança da imagem de homem que é
incorruptível bem como de aves, quadrúpedes e répteis (Rm 1.23, 2 Rs 17.29). É
só olhar para as religiões, o que elas ensinam a adorar? Vacas, animais, homens
que tiveram uma vida boa, e até mesmo uma interpretação humana do que seria o
próprio Deus. O que Paulo estava descrevendo era algo que acontecia naquela
época, na época de Moisés e que acontece hoje e sempre vai acontecer pois esta
é a natureza do homem, não é uma questão de época, de corrente filosófica
passageira. É algo inerente a nós. Trocam a verdade de Deus dizendo, que o
importante é ser bom, que é só escrevermos um bilhete de qualquer jeito que tudo
vai ficar bem. Que cada um pode acreditar no que quiser e no final todos serão
salvos. Mas, a ira de Deus é revelada aos homens que suprimem a verdade pela
injustiça (Rm 1.18).
A compreensão disso é de total importância para entendermos o propósito de Deus para nos salvar. Pois muitas pessoas apenas afirmam que somos pecadores e pronto. Não é só isso. Nós somos podres, miseráveis, repugnantes, inimigos de Deus e é por isso que gostamos do mal, gostamos de adultério, prostituição, impureza, idolatria, inimizades, iras, guerras, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias (Gl 19.21). Podemos até não fazer em determinadas circunstâncias, mas é isso que nos atrai e agrada o nosso interior, justamente porque essas coisas são abominações pra Deus.
Se não entendermos isso, nunca compreenderemos o propósito de Cristo. Só para ilustrar a situação, se você ouvir uma barulho de uma chave isso em nada afetará você. Mas para uma pessoa que já passou 50 anos, trancada num calabouço sujo, fétido, úmido, sem nunca ter contado com a luz do sol, o barulho de uma chave terá um sentido totalmente diferente para ele. É por isso que para entender o que Cristo fez, precisamos antes entender a situação na qual nos encontramos. Cristo declara isso de uma maneira bastante sábia, ele usa a figura da função de um médico. O médico só tem serventia para pessoas que estão enfermas. Uma pessoa sã não vê necessidade de um médico e por isso o médico não tem serventia para ela. Da mesma maneira, Cristo declara que Ele veio para os pecadores e não para justos (Mc 2.17). Quando Ele disse isso, Ele disse aos fariseus que eram hipócritas religiosos da época que estavam julgando Jesus por andar com pecadores. Daí pode-se tirar um ensinamento errôneo, pois isso pode ser usado como margem para dizer que pode existir sim homens justos. Na verdade Cristo estava confirmando a ideia de que Ele não veio para aqueles que pensam que são justos, bons como os fariseus se declaravam. Eles se autodeclaravam cumpridores de todos os mandamentos de Deus e por isso seriam dignos de serem salvos e diante da sociedade eles pareciam ser boas pessoas. Mas Cristo conhecia os seus corações e sabia que eles eram podres e imundos por dentro e assim proferiu esta declaração contra testemunho aos fariseus. Cristo veio aos pecadores, necessitados e só podem ser salvos aqueles que reconhecem isso. Enquanto aos que se dizem ou pensam que são ‘justos’, só lhes restam a condenação e a ira de Deus, pois na verdade não existe um justo sequer. E mais uma vez você vê que as Escrituras não entram em contradição.
No Antigo Testamento no livro de Deuteronômio você encontra normas e condutas dada por Deus a Moisés. Se alguém conseguisse cumprir todas essas normas, esse sim seria justo e poderia ser salvo pela sua obra. Quando Paulo declarou que não há um justo sequer quis dizer que não houve nenhuma pessoa no mundo, nenhum homem ou mulher que tivesse cumprido seja Gandhi, madre Teresa, ele mesmo Paulo, Moisés, Maria mãe de Jesus, exatamente ninguém. Bom, então poderíamos nos perguntar por que Deus estipulou algo que Ele sabia que não poderíamos cumprir. Isso é uma ótima pergunta. E a resposta está em Mateus 5.17. “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.” O único que conseguiu cumprir exatamente tudo que está escrito em Deuteronômio milimetricamente foi Cristo, para que a humanidade percebesse que algo que fora escrito a milhares de anos fosse com perfeição cumprida por Jesus e cressem nEle. (mas isto também será falado mais detalhadamente em outro momento).
Você consegue perceber que as referências que eu usei só para falar sobre a natureza humana não foi de apenas um livro, ou por uma pessoa ( e ainda porque estou esquecendo de outras referências). Quando comecei a estudar as Escrituras, comecei a ficar pasmo, pois observamos que há diversidade do estilo literário indicando que fora escrita por pessoas distintas, além da arqueologia comprovar que os manuscritos são de épocas diferentes. E ainda assim, elas combinam como se fosse escrita por uma única Pessoa. E este é mais um motivo pelo qual eu creio que as Escrituras foram inspiradas pelo Espírito de Deus, o outro motivo falarei num outro momento. Eu tive o cuidado de não apenas mostrar um verso e interpretá-lo, mas sim de mostrar a você o contexto ao qual esse verso está inserido e fazendo uso de outras passagens que também confirmam que aquilo que fora dito é daquela maneira. Pois ainda hoje existem pessoas que trocam a verdade de Deus pegando um verso solto e dando a interpretação que lhe apraz, mas isto já era esperado, pois afinal de contas o homem troca a verdade de Deus pela sua mentira. Ainda assim é altamente recomendado que você releia estas passagens e veja no contexto ao qual está inserido.
Uma última consideração a ser feita é que por causa dessa nossa natureza nunca poderíamos nos relacionar com Deus, nunca poderíamos estar com Ele vivendo na sua glória. E a única coisa inevitável que nos aconteça e que merecemos é receber a ira de Deus, pois somos filhos da desobediência (Cl 3.6). No próximo post, estarei lhe falando sobre a natureza de Deus que infelizmente é ainda hoje pouco compreendida por muitos.


