Bom,
gostaria de completar esta trilogia acerca do Evangelho, falando a respeito do
real significado do sacrifício de Jesus Cristo e a acerca da doutrina da Graça
estabelecida nas Escrituras.
Bom,
a visão que a maioria das pessoas possuem é de que Jesus foi um homem bom, um
profeta e que foi traído, totalmente enganado por Judas e acabou fracassando em
seu ministério sendo crucificado pelo romanos. Isto é um grande erro, pois em
várias passagens ele deixa bem claro que ia ser traído (Mt 26. 21-23; Mc
14.18), que para o lugar onde Ele ia ninguém podia ir junto (Jo 8.21), que o
cálice que Ele ia beber ninguém podia tomá-lo também (Mt 20.22). E neste último
caso vemos a concordância sistemática das Escrituras, pois Ele estava se
referindo ao cálice da ira do Pai que seria derramado sobre Ele e na noite
antes de ser traído Ele orou ao Pai para que se possível fosse afastado este
cálice, mas antes Ele disse que não fosse feita a sua vontade, mas a vontade do
Pai (Lc 22.42). E mesmo subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser
igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se
semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo,
tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. (Fp 2.6-8).
É
necessário fazer duas considerações a respeito do sacrifício de Jesus. Um de
aspecto físico e outro de natureza espiritual. Acerca do aspecto físico, uma
morte na cruz não é algo bem-vinda para a sociedade daquela época, não apenas
por ser cruel, mas porque essa condenação era dada apenas aos seres mais
hediondos que pudesse imaginar e isso gera muita repercussão quando os
discípulos começam a pregar que o seu mestre foi crucificado, pois se Ele era
uma pessoa vinda de Deus, nunca poderia ter sido condenado à cruz. Nem em uma
conversa era permitido mencionar o nome cruz, pois isso era símbolo de vergonha
e desgraça. Hoje vemos muitas pessoas usando símbolos de cruz e nem se dão
conta que este símbolo representa o que Jesus teve que passar por causa dos
nossos pecados. Pois Ele mesmo sendo
justo, não tendo falhado em nada na Lei de Moisés (como já mencionei
anteriormente) se tornou maldito, por que está escrito: “Maldito todo aquele
que for pendurado no madeiro” (Dt 21.23) e Ele se fez maldição por nós (Gl 3.13).
É por isso que Paulo fala que a mensagem da cruz é loucura (1 Co 1.18) para o
mundo, pois para eles era inconcebível a ideia de um messias que fosse morto
numa condenação que era dada à escória da sociedade.
Passo
agora a meditar sobre a natureza espiritual do sacrifício de Jesus. Sem querer
desmerecer o sofrimento físico de Jesus, mas se pensamos que só no fato dEle ter
morrido na cruz os nossos pecados foram pagos, e ficarmos só nisto, cometemos um grave engano. Ele precisava
morrer na cruz para que a Lei e os Profetas se cumprissem exatamente como fora
descrito e para que a humanidade pudesse entender que Ele é o Cristo, o Filho
do Deus vivo. O melhor texto para entender o verdadeiro sacrifício de Jesus
Cristo se encontra em uma das passagens mais fortes das Escrituras, Isaías 53.
Seria muito bom se lesse esse capítulo com bastante calma e pedisse à Deus (se Ele realmente existe) para
que lhe dê entendimento. Este capítulo, é o mais próximo que podemos chegar
da compreensão do que realmente aconteceu com Cristo. No começo do capítulo fala que não víamos
beleza nEle, que não o desejaríamos, que Ele era desprezado, homem de dores,
rejeitado e que não fizemos caso dEle. Que sobre Ele foi colocado TODAS as
nossas enfermidades (imagina uma pessoa carregar todas as enfermidades da
humanidade) e que carregou as nossas dores e que o próprio Deus feriu Ele (Is
53.4). Mas Ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por
causa das nossas iniquidades. O castigo que era a única maneira de nos trazer a
paz estava sobre Ele e pelas pisaduras (seu sofrimento) é que fomos sarados.
Foi da vontade de Deus esmagar Ele (Is 53.10), o próprio Pai esmagou o Filho e
não os romanos. O que vemos aqui é que depois dEle ter sofrido nas mãos dos
romanos, Ele sofreu nas mãos do próprio Pai. O castigo, a condenação à ira de
Deus que estava destinada a nós por causa dos nossos pecados, dos nossos ascos,
da nossa imundície profana foi destinada a Cristo. E Ele tanto sabia que ia ser
traído por Judas como Ele também sabia o que ia acontecer e era por este
motivo, por conhecer ao Pai melhor do que ninguém e sabendo que havia chegado o
momento dEle beber o cálice da ira de Deus que se angustiou muito, chegando a suar como gotas de sangue de tão angustiado que Ele estava (Lc 22.44). A agonia dEle não era
porque ia morrer na cruz, pois muitos do seus seguidores, anos mais tarde,
quando eram mortos ou crucificados se alegravam por se acharem dignos de morrer
por causa do evangelho e até Paulo afirmou que o viver dele é Cristo e o morrer
é lucro (Fp 1.21). Então como é que os seguidores dEle não se angustiavam com a
morte e o próprio Cristo pediu para que o Pai livrasse Ele da morte?? Isso não
faz sentido. O real motivo da agonia de Cristo é que Ele sabia o que aconteceria
depois. Ele iria ser esmagado pelo próprio Pai e ninguém conhecia a Deus como o
próprio Cristo, então Ele sabia que o que ia acontecer não era brincadeira.
Imagine a infinidade do amor, da sabedoria, do poder de Deus. Agora imagine a
infinidade da ira dEle. E não é porque Jesus era Filho dEle que Deus ia
amenizar pra Ele. O Pai condenou ao nosso Senhor a mesma condenação que está
destinada a Satanás, seus anjos e todos aqueles que vivem na impiedade. E é
isso que me deixa totalmente constrangido. Nenhum de nós gostaria de machucar
nossos filhos e isso porque muitas vezes eles são desobedientes. E o Pai moeu o
próprio Filho, e o Filho perfeito que não pudesse haver uma queixa sequer do
Pai, pois o Pai disse: “ – Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt
3.17). E tão somente o fez sofrer um castigo da mesma intensidade que estava
destinado àqueles que são inimigos dEle mesmo (Rm 5.10) e se não bastasse, fez
isso para salvar estes. Mas por que Deus fez isso? Porque Deus amou o mundo de
tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo aquele que nEle crê não
pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Cristo nos amou, incondicionalmente
sem que mereçamos e este amor nos constrange, pois se um morreu por todos, logo
todos morreram (2 Co 5.14). E desta maneira foi feita a justiça de Deus, pois
se morremos com Cristo, logo fomos justificados. O sangue dEle limpou nossas
vestes. Fomos purificados pelo sangue do Cordeiro.
Mas
o sacrifício de Cristo não teria valor se Ele não tivesse ressuscitado, pois
foi na sua ressurreição que Ele subiu aos céus, visto pelos seus discípulos,
como testemunhas oculares e agora Ele está à destra do Pai e o Pai o exaltou acima de todos e lhe deu o
nome que é acima de todo o nome. Ele reina soberanamente e nos revestiu de
poder e autoridade para no lugar de inimigos passarmos a ser chamados de filhos
de Deus (1 Jo 3.1). E o que nós, hoje
temos a ver com isso?
Esta
é a pergunta fundamental do cerne do Evangelho. A resposta está justamente relacionada com a segunda parte desta
conversa, a doutrina da Graça. Esta se contrapõe com a doutrina da letra da Lei, que para uma pessoa ser justa e assim ser salva ela precisa obedecer toda a
Lei que está descrita no Pentateuco (se lembra?). E Paulo disse que não há um
justo sequer, portanto por mais que nos esforcemos nunca vamos conseguir. Na
doutrina da Graça, a coisa é bem diferente e ainda bem! Não precisamos seguir a
Lei, porque Cristo já cumpriu a Lei. Nós somos salvos pela Graça, que significa
que Deus deu algo para nós voluntariamente e que não merecemos. E como funciona
essa salvação?
Depois
que Cristo subiu, Ele enviou o Espírito Santo que prometera (Jo 17.6). E a
função desse Consolador seria de convencer o mundo do pecado, da justiça e do
juízo (Jo 17.7). É somente através do Espírito de Deus agindo em nossas vidas
que podemos perceber os quão miseráveis e carentes somos da glória de Deus. Sem
Ele, vamos continuar pensando que somo bonzinhos e que podemos nos achegar
diante de Deus pelo nosso próprio esforço. E é esse mesmo Espírito que
transforma a nossa natureza para sermos livres da escravidão do pecado (Rm
6.14) e assim podermos caminhar rumo à perfeição em Cristo Jesus (Hb 6.1) até
sermos perfeitos como perfeito é o nosso Pai celestial (Mt 5.48). O que na Lei
isso seria impossível, nós conseguimos através da Graça, através
da transformação do Espírito Santo em nossas vidas, e isto não vem de nós, é
dom de Deus (Ef 2.8).
O
que muitas pessoas pensam acerca das Escrituras é que elas são uma regra de
conduta que devemos seguir.
Isto está errado, pois se assim fosse poderíamos nos gloriar em nós mesmos (Ef 2.9). E é exatamente isso que o Cristianismo difere de todas as
religiões. A própria Escritura fala que se você tentar seguir tudo o que está
escrito lá, você não terá êxito. Mas é o contrário. Somente uma pessoa que se
arrepende dos seus pecados, tendo o Espírito de Deus mostrado a sua situação e
esta pessoa tem o desejo de ser diferente do que ela é, uma pessoa que clama a
Deus para que mude a sua natureza e que tem o Espírito de Deus é que terá uma
vida que está descrita nas Escrituras. Esta é a prova mais concludente que Deus
existe, o do seu agir na vida miserável do ser humano e a transformação que o
Espírito opera em nossas vidas, escolhendo as coisas ignóbeis e desprezadas
para reduzir a nada aqueles que se acham sábios e fortes (1 Co 1. 27-28).
Diante
destas palavras os judeus perguntaram a Pedro o que eles tinham que fazer (At
2.37). E Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em
nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do
Espírito Santo” (At 2.38). E somente desta maneira é que eles puderam viver
livres do pecado e da morte e aguardando esperançosamente o momento em que
encontrariam novamente com o Rei da Glória, a mesma esperança que temos hoje,
pois esta mensagem das Boas Novas, do Evangelho se espalhou até chegar a mim e
agora sendo repassada a você. Pois Cristo nos disse: “Portanto ide, fazei
discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do
Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho
mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”
(Mt 28. 19-20).

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