quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Acerca da mensagem da cruz e da doutrina da Graça (Parte III)



Bom, gostaria de completar esta trilogia acerca do Evangelho, falando a respeito do real significado do sacrifício de Jesus Cristo e a acerca da doutrina da Graça estabelecida nas Escrituras.
Bom, a visão que a maioria das pessoas possuem é de que Jesus foi um homem bom, um profeta e que foi traído, totalmente enganado por Judas e acabou fracassando em seu ministério sendo crucificado pelo romanos. Isto é um grande erro, pois em várias passagens ele deixa bem claro que ia ser traído (Mt 26. 21-23; Mc 14.18), que para o lugar onde Ele ia ninguém podia ir junto (Jo 8.21), que o cálice que Ele ia beber ninguém podia tomá-lo também (Mt 20.22). E neste último caso vemos a concordância sistemática das Escrituras, pois Ele estava se referindo ao cálice da ira do Pai que seria derramado sobre Ele e na noite antes de ser traído Ele orou ao Pai para que se possível fosse afastado este cálice, mas antes Ele disse que não fosse feita a sua vontade, mas a vontade do Pai (Lc 22.42). E mesmo subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. (Fp 2.6-8).

É necessário fazer duas considerações a respeito do sacrifício de Jesus. Um de aspecto físico e outro de natureza espiritual. Acerca do aspecto físico, uma morte na cruz não é algo bem-vinda para a sociedade daquela época, não apenas por ser cruel, mas porque essa condenação era dada apenas aos seres mais hediondos que pudesse imaginar e isso gera muita repercussão quando os discípulos começam a pregar que o seu mestre foi crucificado, pois se Ele era uma pessoa vinda de Deus, nunca poderia ter sido condenado à cruz. Nem em uma conversa era permitido mencionar o nome cruz, pois isso era símbolo de vergonha e desgraça. Hoje vemos muitas pessoas usando símbolos de cruz e nem se dão conta que este símbolo representa o que Jesus teve que passar por causa dos nossos pecados.  Pois Ele mesmo sendo justo, não tendo falhado em nada na Lei de Moisés (como já mencionei anteriormente) se tornou maldito, por que está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” (Dt 21.23) e Ele se fez maldição por nós (Gl 3.13). É por isso que Paulo fala que a mensagem da cruz é loucura (1 Co 1.18) para o mundo, pois para eles era inconcebível a ideia de um messias que fosse morto numa condenação que era dada à escória da sociedade.

Passo agora a meditar sobre a natureza espiritual do sacrifício de Jesus. Sem querer desmerecer o sofrimento físico de Jesus, mas se pensamos que só no fato dEle ter morrido na cruz os nossos pecados foram pagos, e ficarmos só nisto, cometemos um grave engano. Ele precisava morrer na cruz para que a Lei e os Profetas se cumprissem exatamente como fora descrito e para que a humanidade pudesse entender que Ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo. O melhor texto para entender o verdadeiro sacrifício de Jesus Cristo se encontra em uma das passagens mais fortes das Escrituras, Isaías 53. Seria muito bom se lesse esse capítulo com bastante calma e pedisse à Deus (se Ele realmente existe) para que lhe dê entendimento. Este capítulo, é o mais próximo que podemos chegar da compreensão do que realmente aconteceu com Cristo.  No começo do capítulo fala que não víamos beleza nEle, que não o desejaríamos, que Ele era desprezado, homem de dores, rejeitado e que não fizemos caso dEle. Que sobre Ele foi colocado TODAS as nossas enfermidades (imagina uma pessoa carregar todas as enfermidades da humanidade) e que carregou as nossas dores e que o próprio Deus feriu Ele (Is 53.4). Mas Ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que era a única maneira de nos trazer a paz estava sobre Ele e pelas pisaduras (seu sofrimento) é que fomos sarados. Foi da vontade de Deus esmagar Ele (Is 53.10), o próprio Pai esmagou o Filho e não os romanos. O que vemos aqui é que depois dEle ter sofrido nas mãos dos romanos, Ele sofreu nas mãos do próprio Pai. O castigo, a condenação à ira de Deus que estava destinada a nós por causa dos nossos pecados, dos nossos ascos, da nossa imundície profana foi destinada a Cristo. E Ele tanto sabia que ia ser traído por Judas como Ele também sabia o que ia acontecer e era por este motivo, por conhecer ao Pai melhor do que ninguém e sabendo que havia chegado o momento dEle beber o cálice da ira de Deus que se angustiou muito, chegando a suar como gotas de sangue de tão angustiado que Ele estava (Lc 22.44). A agonia dEle não era porque ia morrer na cruz, pois muitos do seus seguidores, anos mais tarde, quando eram mortos ou crucificados se alegravam por se acharem dignos de morrer por causa do evangelho e até Paulo afirmou que o viver dele é Cristo e o morrer é lucro (Fp 1.21). Então como é que os seguidores dEle não se angustiavam com a morte e o próprio Cristo pediu para que o Pai livrasse Ele da morte?? Isso não faz sentido. O real motivo da agonia de Cristo é que Ele sabia o que aconteceria depois. Ele iria ser esmagado pelo próprio Pai e ninguém conhecia a Deus como o próprio Cristo, então Ele sabia que o que ia acontecer não era brincadeira. Imagine a infinidade do amor, da sabedoria, do poder de Deus. Agora imagine a infinidade da ira dEle. E não é porque Jesus era Filho dEle que Deus ia amenizar pra Ele. O Pai condenou ao nosso Senhor a mesma condenação que está destinada a Satanás, seus anjos e todos aqueles que vivem na impiedade. E é isso que me deixa totalmente constrangido. Nenhum de nós gostaria de machucar nossos filhos e isso porque muitas vezes eles são desobedientes. E o Pai moeu o próprio Filho, e o Filho perfeito que não pudesse haver uma queixa sequer do Pai, pois o Pai disse: “ – Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17). E tão somente o fez sofrer um castigo da mesma intensidade que estava destinado àqueles que são inimigos dEle mesmo (Rm 5.10) e se não bastasse, fez isso para salvar estes. Mas por que Deus fez isso? Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Cristo nos amou, incondicionalmente sem que mereçamos e este amor nos constrange, pois se um morreu por todos, logo todos morreram (2 Co 5.14). E desta maneira foi feita a justiça de Deus, pois se morremos com Cristo, logo fomos justificados. O sangue dEle limpou nossas vestes. Fomos purificados pelo sangue do Cordeiro.

Mas o sacrifício de Cristo não teria valor se Ele não tivesse ressuscitado, pois foi na sua ressurreição que Ele subiu aos céus, visto pelos seus discípulos, como testemunhas oculares e agora Ele está à destra do Pai  e o Pai o exaltou acima de todos e lhe deu o nome que é acima de todo o nome. Ele reina soberanamente e nos revestiu de poder e autoridade para no lugar de inimigos passarmos a ser chamados de filhos de Deus (1 Jo 3.1).  E o que nós, hoje temos a ver com isso?

Esta é a pergunta fundamental do cerne do Evangelho. A resposta está justamente relacionada com a segunda parte desta conversa, a doutrina da Graça. Esta se contrapõe com a doutrina da letra da Lei, que para uma pessoa ser justa e assim ser salva ela precisa obedecer toda a Lei que está descrita no Pentateuco (se lembra?). E Paulo disse que não há um justo sequer, portanto por mais que nos esforcemos nunca vamos conseguir. Na doutrina da Graça, a coisa é bem diferente e ainda bem! Não precisamos seguir a Lei, porque Cristo já cumpriu a Lei. Nós somos salvos pela Graça, que significa que Deus deu algo para nós voluntariamente e que não merecemos. E como funciona essa salvação?

Depois que Cristo subiu, Ele enviou o Espírito Santo que prometera (Jo 17.6). E a função desse Consolador seria de convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 17.7). É somente através do Espírito de Deus agindo em nossas vidas que podemos perceber os quão miseráveis e carentes somos da glória de Deus. Sem Ele, vamos continuar pensando que somo bonzinhos e que podemos nos achegar diante de Deus pelo nosso próprio esforço. E é esse mesmo Espírito que transforma a nossa natureza para sermos livres da escravidão do pecado (Rm 6.14) e assim podermos caminhar rumo à perfeição em Cristo Jesus (Hb 6.1) até sermos perfeitos como perfeito é o nosso Pai celestial (Mt 5.48). O que na Lei isso seria impossível, nós conseguimos  através da Graça, através da transformação do Espírito Santo em nossas vidas, e isto não vem de nós, é dom de Deus (Ef 2.8).

O que muitas pessoas pensam acerca das Escrituras é que elas são uma regra de conduta que devemos seguir. Isto está errado, pois se assim fosse poderíamos nos gloriar em nós mesmos (Ef 2.9). E é exatamente isso que o Cristianismo difere de todas as religiões. A própria Escritura fala que se você tentar seguir tudo o que está escrito lá, você não terá êxito. Mas é o contrário. Somente uma pessoa que se arrepende dos seus pecados, tendo o Espírito de Deus mostrado a sua situação e esta pessoa tem o desejo de ser diferente do que ela é, uma pessoa que clama a Deus para que mude a sua natureza e que tem o Espírito de Deus é que terá uma vida que está descrita nas Escrituras. Esta é a prova mais concludente que Deus existe, o do seu agir na vida miserável do ser humano e a transformação que o Espírito opera em nossas vidas, escolhendo as coisas ignóbeis e desprezadas para reduzir a nada aqueles que se acham sábios e fortes (1 Co 1. 27-28).

Diante destas palavras os judeus perguntaram a Pedro o que eles tinham que fazer (At 2.37). E Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38). E somente desta maneira é que eles puderam viver livres do pecado e da morte e aguardando esperançosamente o momento em que encontrariam novamente com o Rei da Glória, a mesma esperança que temos hoje, pois esta mensagem das Boas Novas, do Evangelho se espalhou até chegar a mim e agora sendo repassada a você. Pois Cristo nos disse: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28. 19-20).

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