A
segunda coisa a entender, conforme mencionei anteriormente é a respeito da
natureza de Deus. Muitas pessoas pensam que conhecem a Deus e a seus
pensamentos, idealizando-O apenas com um Ser supremo em bondade, amor e outros
atributos a mais. Mas a primeira constatação de uma pessoa que começa a
conhecer a Deus é a de que não temos como entender completamente a mentalidade
de Deus. O porquê disso é o que está mencionado
no post anterior. Então, mais uma vez (como de praxe) devemos buscar entender o
que as Escrituras dizem, pois elas foram escritas por homens que tiveram
inspiração pelo Espírito dEle (2 Tm 3.16) e o único que pode conhecê-Lo é o seu
próprio Espírito, pois assim como o espírito do homem conhece o homem, assim o
Espírito de Deus conhece a Deus e Ele nos revela as coisas a respeito de Deus
(1 Co 2.11). Esta é a única maneira de conhecermos ao Pai. Agora gostaria de
salientar alguns atributos de Deus para que possamos ter uma noção do caráter
dEle e como consequência o resultado do nosso relacionamento (tendo em vista
nossa natureza mencionada anteriormente) para com Ele.
O primeiro atributo é a respeito de Sua Santidade. Deus é Santo. Mas o que isso realmente quer dizer? Isso não significa apenas que Ele é um Ser bom e nunca faz nada de errado. Essa implicação vai mais além. Ele não somente não comete o que é impuro, mas Ele abomina tudo aquilo que é contrário à Sua natureza santa. Até aqueles que justificam os ímpios é abominação para o Senhor (Pv 17.15). Ele não tem prazer na inquidade nem em nenhum momento pode permanecer com a Sua Glória no meio do pecado (Sl 5.4). A questão é que o Senhor não simplesmente não tolera o pecado, mas Ele abomina e se enfurece com tudo o que é pecado e contra aqueles que o praticam. Nas Escrituras são encontradas várias vezes a palavra 'ira' dando menção à ira de Deus para com aqueles que praticam o que é mau (Dt 9.7; Js 22.20; Jz 2.20; 2 Sm 6.7; 1 Rs 14.15; 2 Cr 28.11). Muitas pessoas tem a concepção errônea de que quando pecamos estamos fazendo Deus triste. Isso é um grande engano. O que estamos fazendo na verdade é enchendo o cálice da ira de Deus sobre nossas vidas e só aguardando para que Ele derrame o cálice de sua ira no último Dia (Ap 14.10). E outra, Deus é Deus, Ele não deixará de ser Deus mesmo que toda a humanidade prevaricasse contra a Sua Palavra e deixasse de seguir a Sua vontade. Percebe que Santidade, vai bem mais além do que apenas não cometer impiedade. Santidade, embora muitas pessoas vejam essa terminologia como algo religioso, na verdade só significa ‘separação’. Uma pessoa santa nada mais é do que uma pessoa separada para algum fim ou propósito. E Deus é Santo por que Ele é totalmente separado para o Seu próprio propósito, que é totalmente diferente da natureza humana. E todos aqueles que são separados para o propósito de Deus, estes também recebem essa terminologia de ‘santo’. Se Deus é separado para o seu próprio propósito, como podemos confiar que este propósito seja bom?
Esta pergunta nos leva a outro atributo de Deus. Ele é Justo (Sl 11.7). Para existir alguém que tenha capacidade de contradizer isso, essa tal pessoa precisa antes de tudo ter a capacidade de ter uma justiça superior à do Senhor para que pelo menos possa instruí-lo. E quem foi que conheceu a mente do Senhor para que possa instruí-lo? (Is 40.13). Se nós sendo injustos aos nossos próprios olhos e imensamente injustos aos olhos de Deus, como podemos declarar falsa a Sua justiça. E uma consequência disso é que Ele não pode negar a si mesmo, em nenhum momento, pois daí não haveria equidade no seu juízo. E em nenhum momento pode cometer injustiça. E é aí que nós nos encrencamos. Pois pela Sua santidade, o Senhor odeia o pecado e todos os que praticam o pecado. Há uma frase comum que diz que Deus odeia o pecado, mas ama o pecador. Isto não é algo que está descrito nas Escrituras, tanto que conforme já mencionado Ele abomina aquele que justifica os ímpios e pecadores. E como Ele é Justo, e não pode negar a si mesmo, Ele precisa fazer justiça e derramar o cálice de Sua ira sobre os filhos da desobediência (Cl 3.6). E Ele não pode perdoar, pois isso seria contrário à Sua justiça e, portanto Ele negaria a si mesmo e logo deixaria de ser Deus.
Para entender esta questão, vamos à seguinte ilustração. Um indivíduo entra em sua casa e não somente violenta a sua filha e esposa, como também assassina elas friamente torturando-as até a morte. E este indivíduo é preso e levado ao julgamento. No tribunal todas as provas apontam para a condenação deste indivíduo. E o juiz ao declarar a sentença profere as seguintes palavras: ‘Realmente é incontestável, diante de todas as provas apresentadas, negar que você não cometeu tal crime. Todos aqui no recinto reconhecem que você é o assassino destas duas vítimas. No entanto, como eu sou um juiz misericordioso e amoroso, eu irei absolvê-lo. Você está livre, pode ir embora’. Você ficaria perplexo, para dizer pouco. Você nunca veria isso como justiça. Você ligaria para todas as autoridades competentes e denunciaria este juiz, pela sua falta de justiça e nunca mais você confiaria neste juiz para julgar qualquer coisa. Este juiz perderia a sua total credibilidade diante de você e da sociedade.
Pois bem, é mais ou menos dessa maneira que Deus não pode nos perdoar e por isso precisamos ser condenados a tomar o cálice de Sua ira. Existem pessoas que aderem à filosofia de que Deus não pode nos condenar por que Deus é amor. Isso mostra total falta de conhecimento acerca dos atributos e do caráter de Deus. É exatamente porque Deus é amor que Ele precisa manifestar a Sua ira. Para entender isso, vamos colocar dessa maneira. Toda pessoa que ama bebês, ela igualmente odeia aborto. Se uma pessoa ama judeus, ela definitivamente irá odiar holocaustos. Se você realmente ama alguma coisa, você irá odiar com a mesma intensidade tudo aquilo que é contrário ou que denigre aquilo que você ama. Pois bem, Deus ama imensamente o que é justo, o que é santo e todo ser que ama essas coisas e por este motivo, com a mesma intensidade de Seu amor por estas coisas, que Ele odeia a injustiça, a prevaricação e todos aqueles que praticam ou amam essas coisas.
Então chegamos a um grande impasse. Não somente devemos ficar afastados de Deus e de Sua Glória como merecemos receber a Sua ira santa. É difícil associar a ideia de ira com algo santo, mas é exatamente por que a ira é voltada para tudo que é contrário à santidade de Deus que torna a Sua ira uma ira santa. Mais uma vez, não podemos confundir a ira de Deus com a ira dos sentimentos dos homens. E nenhuma religião poderia nos livrar dessa ira, nenhuma.
Chegamos agora em um grande divisor de águas. O que pode levar a muitas pessoas a reconhecer o maior erro das Escrituras e perceber que tudo não passa de um grande ensaio literário tão complexo que acabaram esquecendo o ponto central da filosofia deste livro. E isso culminaria na apostasia de muitas pessoas. Se é mencionado em Provérbios 17.15 que abominação para Senhor é aquele que justifica o ímpio, como as Escrituras declaram que nós somos justificados (Rm 5.9)? Colocando isso em outros termos: Se Deus não pode perdoar ninguém, pois Ele precisa ser Justo, como as Escrituras declaram que somos perdoados? Ou ainda de uma forma mais sintética: Como Deus pode ser Justo e Justificador ao mesmo tempo, e ainda sem negar a Si mesmo? É neste ponto que muitos ateus podem se apegar para mostrar a falibilidade das Escrituras.
Mas o que parece ser o grande erro da doutrina bíblica é exatamente o cerne da
mensagem de todas as Escrituras, desde Gênesis a Apocalipse. A resposta desta
questão é metaforicamente e literalmente o centro de tudo e de todo o universo.
O Único que poderia fazer de Deus Justo e Justificador é o Seu próprio Filho,
nosso Senhor, Jesus Cristo. Agora como Ele fez isso, está detalhado no post seguinte. Pois o propósito do Messias e de que maneira
somos reconciliados com Deus são outras coisas que são mal compreendidas por
muitas pessoas.
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